C6 Bank avança em crédito com garantia e mira lucro de R$ 2 bi no ano, diz CFO

O C6 Bank, que tem o JPMorgan Chase como sócio, projeta fechar o ano de 2024 com um lucro de R$ 2 bilhões, o primeiro em seus cinco anos de história, segundo o CFO do banco digital, Philippe Katz. De janeiro a junho, a instituição financeira já reportou R$ 969 milhões, o seu primeiro lucro semestral.

Em entrevista Katz apontou como alavancas de crescimento duas modalidades de crédito com garantias, o financiamento de veículos e os empréstimos consignados, além de outras soluções digitais para pessoas jurídicas. Também destacou a receita com produtos para clientes de alta renda, como conta global e cartões com direito a benefícios como sala VIP em aeroporto e cashback.

“No ano passado, tivemos um prejuízo de R$ 670 milhões. Vamos conseguir uma boa reversão com a expectativa de terminar o ano de 2024 com um lucro em torno de R$ 2 bilhões”, afirmou o executivo, que está no C6 desde o início das operações em 2019.

A carteira de crédito do C6 fechou o primeiro semestre com volume de R$ 47,95 bilhões, o que representou uma expansão de 25% na comparaçnao anual.

Katz explicou que o financiamento de veículos respondeu por 23% da carteira. É a segunda maior parcela do volume total, atrás apenas da concessão de empréstimos consignados (48%).

“Estamos crescendo de maneira orgânica na carteira auto. Contamos com a distribuição de terceiros”, disse o CFO.

Além do consignado e do financiamento de veículos, a carteira do C6 é composta ainda de crédito para pessoas físicas (20%), jurídicas (8%) e home equity (1%). Nessa última modalidade de empréstimo, o imóvel serve como garantia da operação, que permite ao cliente crédito em condições melhores.

“Não fazemos o crédito imobiliário tradicional mas o home equity. Esse mix de portfólio permitiu um crescimento natural de áreas com garantias atreladas. Hoje 78% de nossa carteira é com garantia, ante 73% em junho do ano passado”, afirmou Katz sobre a qualidade do portfólio.

A expectativa é que a carteira de crédito cresça para R$ 60 bilhões ao fim deste segundo semestre. O banco reporta uma base de cerca de 30 milhões de clientes.

Inadimplência em queda e alavancagem operacional

Além da concessão de crédito, o C6 se beneficia da redução das despesas com PDD (provisões para devedores duvidosos) após um controle mais apurado dos modelos de risco para evitar uma escalada dos atrasos, um desafio que desafiou tanto os grandes bancos tradicionais do país como os digitais.

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Desde o fim de 2022, o C6 tem reportado uma queda da inadimplência, com o percentual de empréstimos com atraso de 90 dias ou mais passando de 5,3% para 3,1%. Na comparação anual, esse indicador teve uma redução de 1,2 ponto percentual no primeiro semestre.

“A ‘digestão’ da PDD está feita. O balanço está limpo. Estamos prontos para crescer”, disse o CFO.

O executivo apontou ainda os esforços de controle de custos e melhora da eficiência como motores para a expansão da alavancagem operacional do banco e captação de mais clientes. A base de depósitos do C6 Bank cresceu 54% em 12 meses, de R$ 37 bilhões para R$ 57 bilhões.

Os frutos do trabalho para inibir a inadimplência começaram a ser colhidos no início do ano, quando o banco divulgou seu primeiro lucro trimestral da história, de R$ 460,9 milhões, entre janeiro e março. No segundo trimestre, o lucro líquido foi de R$ 508 milhões, alta de 10% em três meses.

“Em cinco anos, construímos um banco de varejo completo com receitas diversificadas e baixo custo que nos permite expandir exponencialmente nossa alavancagem operacional. O resultado de agora é a consequência natural disso”, resume o executivo.

A busca pela principalidade, ou seja, tornar-se o banco mais presente na jornada financeira do cliente, e pelo aumento do share of wallet (uma participação maior dos recursos dos clientes) são apontados pelo CFO como fatores que são um norte para a estratégia do C6.

“Trabalhamos para que o cliente use mais nossos produtos e serviços. Conforme vai aumentando a principalidade, é natural que se veja a receita crescendo”, disse Katz, que citou a venda de seguros como produto potencial para uma maior penetração do banco na carteira dos clientes.

Hoje o C6 disponibiliza um portfólio de mais de 90 produtos, serviços e funcionalidades. Além de conta corrente, cartão, transferências e programa de pontos, o banco oferece uma conta global com saldo em dólar e euro e uma plataforma que permite investir em ativos no Brasil e no exterior.

O banco atua em oito áreas de negócio: pessoa física, pessoa jurídica, atacado, câmbio, veículos, home equity, consignado e corretora.

“Mesmo não cobrando tarifas, conseguimos aumentar a receita de serviços de R$ 572 milhões para R$ 847 milhões em 12 meses”, afirmou o CFO.

Quanto à tendência para os custos, ele apontou o dissídio dos bancários em setembro como a principal pressão. O banco não divulga o indicador de custo de servir. O ROE (retorno sobre o patrimônio líquido) foi de 58% no primeiro trimestre e de 56% no segundo.

“De maneira geral, os custos no banco estão sob controle e vão permanecer estáveis. Nosso grande foco é a alavancagem operacional. O dissídio em setembro mexe com o resultado, mas é marginal no todo”, avaliou.

Ricardo Botelho, head do segmento PJ, diz em entrevista à Bloomberg Línea que o banco digital deve encerrar 2024 com 700 mil novas contas, em seu melhor ano desde a fundação

Bloomberg Línea — O segmento de clientes PJ (pessoa jurídica) sempre esteve entre os mais importantes para a economia brasileira, pela sua contribuição para o PIB e a geração de empregos, mas, por muito tempo, não era considerado estratégico nem prioritário pelos maiores bancos do país. Mas isso tem mudado com o aumento da competição de novos players e a mudança de percepção dos negócios que representam.

Um dos novos bancos digitais que mais apostam nesse perfil de cliente tem sido o C6 Bank, que elegeu o segmento como uma das avenidas de crescimento de toda a instituição.

O banco liderado por Marcelo Kalim espera encerrar o ano de 2024 com 700 mil novas contas PJ, o maior número desde que começou a atender empresas em 2020, segundo o head da área, Ricardo Botelho, em entrevista  sobre a estratégia do banco digital.

O perfil do cliente PJ atendido e priorizado pelo C6 aponta tanto para o MEI (Microeemprendedor Individual) como para o PME (pequena e média empresa).

O C6 conta atualmente com 1,5 milhão de clientes PJ. A carteira de crédito voltada para o segmento cresceu 42% entre 2022 e 2023, superando o patamar de R$ 4,7 bilhões. No período, a base de clientes PJ cresceu 33%. A carteira de crédito total (PJ e PF) soma mais de R$ 40 bilhões.

O executivo destacou o desempenho do ritmo de abertura de contas PJ no Centro-Oeste, o que destoa do senso comum do setor de foco do Sudeste. A região movida pelo agronegócio teve alta de 46% na abertura de contas PJ do C6 entre 2022 e 2023. Esse avanço deve se repetir em 2024, segundo Botelho.

“Há um crescimento proporcional maior no Centro-Oeste, na esteira do agribusiness. Esse desempenho veio sem que um esforço específico tenha sido feito. Seguiu a dinâmica da economia.”

O C6 possui uma grande capilaridade em termos geográficos e também dispersão de segmentos da economia entre seus clientes PJ, segundo o head.

“Nunca focamos em um determinado mercado para atender ao cliente PJ. Temos uma grande dispersão tanto em geografia quanto ao tipo de negócio. Para nós, isso é positivo porque dilui riscos”, disse Botelho.

Para ampliar a da vertical de contas PJ, o banco não planeja recorrer a operações de M&A para adicionar carteiras de clientes, mas investir cada vez em uma oferta completa de soluções para empreendedores e prospectar novas contas PJ a partir de clientes pessoas físicas que já conhecem as soluções do C6.

“O crescimento orgânico tem funcionado. Não precisamos de associações nem parcerias. Aproveitamos a fortaleza do banco em contas PF para avançar em PJ”, disse o head.

A competição entre os players no segmento PJ tem se tornado mais acirrada. A corrida para atrair empresas inclui um monitoramento constante sobre as necessidades dos clientes e de equação de custos, segundo ele.

“Dispor de uma prateleira [de produtos] completa é fundamental. O cardápio tem de ser abrangente para atender às necessidades do cliente. É uma condição para estar competitivo na arena”, disse Botelho.

Essa estratégia de uma oferta ampla de produtos e serviços tem sido um norte do C6 também para pessoas físicas desde a sua fundação em 2019 por ex-sócios do BTG Pactual (BPAC11), liderado por Marcelo Kalim, que fazia parte dos principais acionistas do banco de investimento.

O banco digital, que atraiu o JPMorgan como acionista relevante em junho de 2021 com a venda de 40% do seu capital – fatia depois ampliada para 46% -, foi pioneiro no mercado brasileiro ao oferecer uma conta global em dólar a seus clientes no fim de 2019. Essa conta é oferecida também hoje a clientes PJ.

Tarifas menores para conta PJ

O avanço do C6 em conta PJ também é impulsionado pela oferta de menores tarifas cobradas das empresas na comparação com bancos tradicionais, segundo o head.

“Conseguimos ser um banco mais eficiente e com isso podemos cobrar tarifas menores oferecendo soluções mais simples para nossos clientes. Por exemplo, benefícios como não cobrar tarifas para a movimentação do Pix, que é um custo importante para as empresas, ou uma franquia de emissão de boletos bastante extensiva.”

Formado em economia e com passagem pelo Itaú Unibanco e pelo Citi, em ambos envolvido em linhas de negócio para clientes PJ, Botelho está no C6 desde o ano de fundação há cinco anos.

“Desde o início do C6, o roadmap era consolidar o mercado de PF e depois partir para a ambição de entrar no mercado de PJ e fazer a disrupção, como fizemos com pessoa física. Os clientes querem simplicidade, agilidade, maior eficiência, segurança, custo e benefício adequados”, disse o head.

O executivo disse que o C6 oferta soluções que atendem a 95% das necessidades de uma empresa, como capital de giro, câmbio, boletos, duplicatas, cheque especial, cartão de crédito e conta global.

O executivo disse que enxerga uma melhora gradual do cenário de crédito no Brasil ao longo dos últimos meses, mas fez a ressalva de que o quadro de juros elevados ainda inibe a tomada de empréstimos com prazos mais longos pelos empreendedores, em sinal de cautela com as perspectivas da economia.

“O cenário de crédito deu uma melhorada, mas a demanda não está desenfreada. No curto prazo, ainda há incertezas sobre o que vem pela frente, o que exige uma avaliação mais cuidadosa e um escrutínio maior na hora de conceder crédito”, disse o executivo.

Um dos diferenciais do cliente PJ do C6 é o uso do web banking, aplicativo que fica disponível na área de trabalho do computador e dispensa o uso dos navegadores padrão, segundo ele.

“Trabalhamos bastante ferramentas de integração entre plataformas do banco e externas. Desenvolvemos um API [interface de programação de aplicação] que permite uma conexão direta com o banco para o envio de Pix e de boletos de cobrança”, apontou como exemplo de funcionalidade em UX (experiência do cliente).

Uma rede de escritórios autorizados a distribuir as soluções do C6 para pessoas jurídicas, chamada de Conexão C6, auxilia a instituição financeira no atendimento e na prospecção de clientes, acrescentou o executivo.

“Um relacionamento de uma PJ com um banco é um relacionamento de um fornecedor de soluções financeiras, assim como uma empresa de confecção procura bons fornecedores de tecidos”, comparou.

Laura Pausini
Laura Pausini

Jornalista pela Universidade do Sul Paulista, Analista de Conteúdo e Redatora há 5 anos, especializada em serviços financeiros, com foco em cartões de crédito e empréstimos. Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Metropolitana, atua como Redatora Web SEO e Analista de Conteúdo Pleno no setor.

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