O Bradesco (BBDC3;BBDC4) registrou lucro líquido de R$ 4,716 bilhões no segundo trimestre de 2024, uma alta de 12% ante o trimestre imediatamente anterior e avanço de 4,4% na comparação com o mesmo período de 2023.
O resultado veio acima das projeções dos analistas consultados pelo Valor, que apontavam um ganho de R$ 4,380 bilhões.
O segundo maior banco privado do país em ativos contabilizou margem financeira bruta de R$ 15,580 bilhões no segundo trimestre, com alta de 2,8% ante o trimestre anterior e recuo de 5,9% em 12 meses.
Já a taxa de calote diminuiu no período. O Bradesco encerrou o segundo trimestre de 2024 com inadimplência de 4,3% na carteira de crédito, ante 5% em março e 5,9% em junho do ano anterior.
A inadimplência de pessoa física ficou em 5,2% no fim de junho, ante 5,5% em março e 6,7% no fim do segundo trimestre de 2023. No caso de grandes empresas, o indicador estava em 0,2% no fim de junho, de 1,5% e 1,9%, na mesma base de comparação. Em micro, pequenas e médias empresas, ficou em 5,4%, de 6,4% e 7,0%.
O que os analistas acharam?
Para o Goldman Sachs, os resultados foram positivos e devem ser bem recebidos pelo mercado, dadas as expectativas baixas e a melhoria do número de inadimplência do banco. Eles destacam, ainda, o número de novos clientes, impulsionado pelo maior volume e mais favorável combinação de empréstimos disponibilizados pelo banco.
O Citi escreve que os resultados do Bradesco sugerem que está acontecendo uma recuperação lenta no banco, o que pode limitar as surpresas positivas no final de 2024. “O crescimento da carteira de empréstimos reflete um apetite moderado pelo risco (abaixo dos pares)”.
Do lado positivo, o Citi menciona a postura cautelosa das provisões (ou seja, estimativa das despesas financeiras futuras) anualizadas, o que poderia dar algum espaço para acelerar os resultados à medida que as condições melhorem. “No geral, o Bradesco parece estar no caminho certo para melhorar a médio prazo”.
A Ativa Investimentos diz que o resultado foi “bastante positivo”. destaca o maior crescimento das concessões às PMEs, movimento importante para demonstrar que o lucro não precisa continuar sendo “sacrificado” para a inadimplência seguir em queda. Para eles, a margem financeira líquida do banco foi o destaque positivo do trimestre, “um importante indicativo para frente e que dá maior confiança no processo de recuperação de rentabilidade do banco”.
O estrategista chefe da Montebravo Corretora, Alexandre Mathias, acredita que os números do balanço devem se refletir positivamente nas ações da companhia. “O resultado foi bom, gostamos da evolução nas margens com clientes e na evolução positiva para as dinâmicas de inadimplência, mas ainda temos algumas dúvidas sobre a qualidade da carteira de crédito”.
O analista projeta estabilização do lucro, que segue abaixo dos principais concorrentes, o que deve reduzir as apostas contra o banco.
