Não parece existir espaço dentro do Grupo MateusCotação de Grupo Mateus para um crescimento por meio de aquisição no setor via oferta hostil.
Nos últimos meses, bancos de confiança da rede já levaram propostas de compra ou fusão para o comando desde que as ações das cadeias de atacarejo passaram a perder valor. Só que a ideia, a princípio, não agrada o fundador, Ilson Mateus Rodrigues, apurou o Valor.
Conservador e com cultura muito própria, “seu Ilson”, como é chamado nos corredores, tem dito aos assessores financeiros que prefere expansão regional, o que pode incluir futuras aquisições locais.
A hipótese de plano de expansão por meio de uma postura mais agressiva no mercado, até pelo próprio DNA da família, não o convence, dizem fontes ouvidas. Segundo nota na coluna de Lauro Jardim, do “O Globo”, XP e ItaúCotação de Itaú estariam trabalhando para fazer uma oferta pelo controle do Assaí, segunda maior rede de atacarejo do país.
Dentro do Assaí, qualquer oferta não solicitada — seja de Mateus ou de outra empresa ou investidor — não cairia bem sem um alinhamento prévio entre os controladores. Até o momento, não houve sondagem informal. E um movimento hostil seria, de cara, rejeitado pelo conselho de administração, diz uma segunda fonte.
Desde o começo do ano, a ação ON do Assaí, rede com R$ 13 bilhões em valor de mercado, já caiu 26,5%, e no Carrefour, com 60% das vendas vindo de Atacadão, a queda é de 25%. Já o papel do Mateus, que vale R$ 17,5 bilhões, subiu 14%.
A fusão entre companhias do setor tem sido uma forma de algumas empresas buscarem somar valor. Nos últimos meses, Soma e Arezzo se juntaram, assim como Petz e Cobasi, o que andou animando o mercado e acelerou movimentação de assessores, e acionistas minoritários, prospectando outros eventuais acordos, em ano de aberturas de capital e ofertas em baixa, e comissões magras entre assessores.
Apesar de bancos terem levado a Ilson Rodrigues, nos últimos meses, a ideia de uma operação entre atacadistas, na esteira de outros “deals” no setor varejista, há gestores que entendem que não é muito boa hora para qualquer acordo.
O Assaí puxou freio de mão desde o ano passado e ainda precisa reduzir mais alavancagem, enquanto Mateus tem suas questões para lidar dentro de casa. O grupo busca ser mais eficiente para compensar um aumento de tributos sobre o setor neste ano.
