Santander lança financiamento que aceita imóvel já alienado como garantia

Santander (SANB11) abriu uma nova linha de crédito pessoal com imóveis como garantia de pagamento e cuja grande novidade é aceitar imóveis já alienados em outros financiamentos.

Essa iniciativa do Santander foi possível graças ao Marco das Garantias (lei 14.711), que entrou em vigor no fim de 2023 e passou a autorizar que um mesmo imóvel fosse usado como garantia de mais de um empréstimo.

A medida tende a abrir caminho para expansão da oferta de crédito, na visão do diretor de negócios imobiliários do Santander, Sandro Gamba.

“Essa é uma oportunidade enorme, pois cria um novo mercado, uma nova forma de gerar crédito”, afirma.

“Antes, só se oferecia crédito em cima de imóveis desalienados. O grande diferencial agora é que todo imóvel pertencente a uma carteira alienada está elegível.”

O Santander já tinha uma carteira de crédito pessoal com imóvel como garantia, chamada de “Use Casa”. A linha que aceita imóveis alienados foi lançada esta semana e batizada de “Use Casa Mais”.

As taxas mensais vão de 1,05% (operações até 12 meses), podendo chegar até 1,69% (no limite de 240 meses).

O diretor do Santander vê muito potencial para desdobrar a carteira de crédito imobiliário do banco, que totaliza R$ 60 bilhões.

A maior parte disso diz respeito a financiamentos para clientes que compraram a casa própria cedendo o próprio bem como garantia de pagamento.

Ou seja: um mutuário que foi abatendo o saldo devedor ao longo dos anos passa a ter espaço para usar esse bem para novos empréstimos.

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“Antes, não se podia fazer mais nada em cima dessa carteira. Estava imobilizada. Agora é possível expandir os financiamentos”, destaca Gamba.

O Marco das Garantias não impede que um banco conceda um empréstimo em cima de imóveis alienados para outras instituições financeiras. Mas, por ora, o Santander vai se concentrar em operações da própria carteira, diz o diretor.

O crédito pessoal baseado em garantia imobiliária – também chamado de home equity – vem crescendo no Brasil e já acelerou nos últimos anos.

A carteira do mercado chegou a R$ 19,7 bilhões no fim de 2023, um avanço de 19,3% na comparação com 2022, de acordo com dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).

O Santander é um dos líderes do segmento, onde também atuam Itaú Unibanco (ITUB4) e fintechs como Creditas e CashMe, entre outras instituições.

Já o público-alvo são pessoas que tomam os recursos para reforma do próprio imóvel e investimentos em suas empresas, entre outros usos.

Limites e riscos do tipo de empréstimo disponibilizado pelo Santander

O uso do mesmo imóvel para novas operações de crédito têm um teto. O valor somado de todos os financiamentos não pode ser maior do que 60% do valor de imóvel, de acordo com a Resolução 4.676 de 2018, do Banco Central.

Ao definir um teto, o objetivo do BC foi evitar que o ativo usado como garantia seja incapaz de fazer jus ao conjunto de financiamentos concedidos pelas instituições financeiras, o que poderia gerar prejuízos em efeito dominó nas execuções de dívidas.

Caso este tipo de empréstimo não seja pago, e o credor decida ficar com o imóvel do mutuário inadimplente, há uma ordem a ser seguida.

Um eventual inadimplemento da segunda dívida não pode gerar a execução da garantia. A dívida é exequível, porém, não com a garantia imobiliária, explica o advogado Olivar Vitale, sócio fundador do escritório VBD e membro do Instituto Brasileiro de Direito Imobiliário (Ibradim).

“A lei é muito clara. A constituição da alienação fiduciária superveniente (segunda dívida) é legal e passível de registro desde a sua contratação, mas a sua eficácia só se inicia com o cancelamento da garantia fiduciária original”, diz Vitale.

“Se o inadimplemento se der na primeira dívida que gerou a alienação fiduciária original, e o credor decidir por executar a garantia, os direitos do credor fiduciário superveniente (segunda dívida) ficam sub-rogados no preço obtido e, ao término da execução extrajudicial dos créditos, ficam canceladas ambas as garantia fiduciárias.”

Laura Pausini
Laura Pausini

Jornalista pela Universidade do Sul Paulista, Analista de Conteúdo e Redatora há 5 anos, especializada em serviços financeiros, com foco em cartões de crédito e empréstimos. Graduada em Comunicação Social - Jornalismo pela Universidade Metropolitana, atua como Redatora Web SEO e Analista de Conteúdo Pleno no setor.

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