Com uma postura ainda mais discreta que a média nos últimos anos, o banco Pine implementou um ajuste estratégico que acaba de resultar em seu maior lucro anual em 11 anos. O banco fechou 2023 com resultado de R$ 180,9 milhões, depois de aumentar em 38% o lucro no quarto trimestre.
O posicionamento envolve uma participação mais relevante do varejo no crédito, que saltou de 20% em 2022 para 50% no ano passado. “Iniciamos essa mudança no final de 2021, quando vimos uma curva de juros inclinada e com aperto monetário à frente, e precisávamos diversificar o negócio, que era muito focado no atacado”, afirma Noberto Nogueira Pinhei diretor executivo e de relações com investidores.
No total, a carteira de crédito expandida do banco cresceu 47,7% em 2023, para R$ 9,6 bilhões. A expansão foi puxada pelo segmento de varejo colateralizado (operações de crédito consignado, antecipação do saque-aniversário do FGTS e financiamento para serviços públicos, pelo Siape), que terminou o ano em nível quatro vezes maior que no final de 2022
Já o segmento de pessoa jurídica registrou uma retração anual de 10% em 2023, tombo causado principalmente pelo crédito para médias empresas, que encolheu 40%. Nessa frente, a alta dos juros deixou o Pine mais conservador, passando a focar mais em grandes empresas, com faturamento a partir de R$ 300 milhões — a categoria cresceu 8,1% no período, somando um saldo de R$ 3,2 bilhões.
Pinheiro Jr. vê uma melhora da inadimplência com o ciclo de queda de juros. A taxa de atrasos acima de 90 dias do banco se manteve estável em 0,3% em dezembro em relação ao mesmo período de 2022. Já a o índice para o portfólio de médias empresas cresceu de 0,6% para 1,6%. “Acho que o pior já ficou para trás”, diz.
Outra área do banco que tem contribuído para o crescimento dos resultados é a mesa para clientes, que engloba as operações de hedge, juros e moedas. Em dezembro de 2023, o valor da carteira de derivativos com clientes atingiu R$ 9,4 bilhões, aumento de 125% em relação ao mesmo período de 2022. Em dezembro,
o Pine passou a atuar em mais uma frente com a autorização para ter uma comercializadora de ativos ambientais. “Queremos atuar no mercado de crédito de carbono, CRAs verdes e outros produtos junto à nossa clientela”, diz Clive Botelho, também diretor-executivo.
O banco tem buscado diversificar sua base de funding, usando vários instrumentos financeiros para captação de recursos que somaram R$ 12,7 bilhões em 2023, alta de 34%. O Pine encerrou o ano com índice de Basileia de 13,8%.
